© 2018 por Movimento Brasil Conservador. contato@colaboradoresmbc.org

 
 
G
M
T
Y
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A função de fala é limitada a 200 caracteres
 
[removed]
 
Opções : Histórico : Comentários : Donate Encerrar

A premissa que o GPS ideológico da Folha descartou de propósito

Brincadeiras à parte sobre a graça em descobrir-se nas bolinhas azuis do GPS da Folha, analisemos os objetivos espúrios desse mapa de metodologia duvidosa.

No final das contas, interessa à Folha matar dois coelhos: a) localizar figuras anti-estamento burocrático ora em ascensão nos meios culturais e no debate político; b) “demonstrar” que a voz dessas pessoas é menor, uma vez que seu público se restringe a uma bolha “impermeável a discursos outros”.


A premissa que se descarta propositalmente é o que leva uma pessoa a seguir este ou aquele no Twitter. Afinidade pessoal, admiração profissional, desejo de retrucar bobagens, necessidade de repudiar mau-caratismo político (eu seguia o Renan Calheiros até ser bloqueada...)


O Twitter não é um ambiente de troca civilizada de ideias. O próprio formato da plataforma impede que seja assim. Consequentemente, por imperativos formais, ele reduz-se a um ringue virtual onde ativistas de múltiplos espectros confrontam suas conclusões e medem seu talento em produzir boas tiradas. Nada mais.


O MBC, a cujo editorial contribuo, ficou à extrema-direita. Como muitas pessoas que sigo por lá. Será que eu vivo numa bolha e sou impermeável a discursos diferentes por “medo de confronto”?


Conheço toda a literatura ovacionada pela Nova Esquerda, cujas temáticas provém dos “Estudos culturais”. Conheço boa parte da historiografia marxista sobre o mundo moderno. Conheço os clássicos nascidos na École des Annales. Conheço com profundidade escritos modernos que fundamentam o pensamento iluminista, como as obras nucleares das Luzes e o recente revisionismo de Jonathan Israel, para quem os radicais inspirados em Espinoza estão na base do moderno conceito de democracia.


Seria impossível incluir neste editorial todos os poetas que já amei. Terá sido Salvatore Quasimodo um “extremista de direita” que só pôde falar aos tementes a ideias distintas? Terá sido Adonis igual? E Juan Rulfo, que nos legou a jóia “Pedro Páramo”? Não há espaço para listar os gregos, latinos e medievais. Nem Gregório de Nissa, Agostinho, Aberlardo ou Helóisa. Tampouco Shakespeare, Racine e Thomas Mann. Amores em excesso para linhas escassas.


Se prefiro Oakeshott a Foucault, isso se deve ao primeiro ser muito mais sofisticado, e a eu preferir apuro intelectual a exaspero niilista. Se hoje evito ouvir a arenga socialista vulgarizada, é por tê-la aprendido de cor com ex-colegas sindicalistas, que faziam greve “para elevar a qualidade do ensino” enquanto disputavam licenças para emendar suas férias com astúcia. A experiência nos forma. Sobretudo quando a meditamos no caminho.


Conservadores não são pessoas “temerosas em ouvir opiniões diferentes”. São espíritos versados na análise honesta de todas as mazelas, jóias e delírios que a cultura produziu. Pessoas cuja educação política se deve ao exame trabalhoso das fontes somado a um senso apurado de escolha.


Reduzir-nos à etiqueta “extrema-direita”, como fez a Folha com seu GPS ideológico fajuto, é descartar o amor à cultura como elemento vital de toda boa educação política.


Faltou poesia aos especialistas-militantes apaixonados de infográficos, metros e estatísticas.

Não temos um George Soros, seu apoio é fundamental, contribua com o valor de um cafezinho por mês: APOIE O MBC!

447 visualizações1 comentário