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Sobre a liberação do porte de armas

Atualizado: 9 de Dez de 2018


Você tem medo da liberação do porte de armas? Então leia isso.


Os episódios de ataques em massa, como o acontecido recentemente numa escola de Parkland ou na boate Pulse de Orlando, que deixou cerca de 50 mortos e foi um dos mais trágicos da história americana, sempre que acontecem, parecem vir para comprovar que armas realmente representam um risco à vida. Certamente, a mídia faz a sua contribuição para a consolidação desse equívoco quando todos os veículos de comunicação levantam-se em um coro uníssono para alardear os perigos que elas representam e, desonestamente, associá-las às mortes ocorridas. Contudo, essa primeira reação emocional à notícia é o que leva muitas pessoas a formarem uma ideia equivocada, ao não se aprofundarem na análise da questão e se deixarem levar pelo sentimentalismo que os defensores de uma agenda política tentam despertar na população, diante dessas oportunidades de ouro.


Um estudo publicado pela Universidade de Harvard chamado “Banir armas de fogo reduziriam os assassinatos e suicídio?” trouxe o dado de que todos os assassinatos em massa, com apenas UMA exceção desde o ano de 1950, cometidos em solo americano, deram-se em locais onde existe a proibição ao porte de armas, as chamadas gun free zones (zonas livres de armas). Isso acontece justamente porque, em locais assim, o criminoso ou terrorista é o único que está armado, fazendo de todas as outras pessoas alvos à mercê da sua mira. Se um revoltado ensandecido, como este, entrar em qualquer estabelecimento, em que tenha uma única pessoa – que seja – armada, no exato momento em que ele sacar a sua e der indícios do que está prestes a fazer, essa pessoa poderá intervir e terminar com o seu plano antes mesmo dele começar. Quiçá, morrerão alguns poucos até que o defensor possa agir, mas, jamais, chegariam a morrer pessoas em quantidades tão grandes como é de costume acontecer nesses casos em que as vítimas estão entregues a própria sorte.


Isso é meio que uma obviedade lógica, mas, o estudo continua e ainda vem a comprovar essa tese com outro dado estatístico importante. Ele diz: “Em termos gerais, as armas de fogo são utilizadas com uma frequência 80 vezes maior para impedir crimes do que para tirar vidas”. Isso quer dizer que, a cada vida que uma arma tira e, diante da qual os jornais aproveitam para despejar todo o sensacionalismo que lhes é característico, cerca de 80 outras vidas foram salvas pela sua presença, sem que tenham chegado às manchetes. Crimes evitados não rendem matéria na TV ou histeria de qualquer tipo, são estatísticas que passam despercebidas e que dificilmente chegam a ser contabilizadas. Por exemplo, se um indivíduo está andando na rua e é assaltado, ele provavelmente vai se certificar de ir até a delegacia registrar a ocorrência. Contudo, se esse mesmo indivíduo estiver armado e conseguir evitar a abordagem, ele continuará seu caminho e nada será contabilizado, simplesmente porque nada aconteceu (graças à presença da arma).


Portanto, aterrorizar a população com a divulgação dos números de mortos por armas de fogo é uma desonestidade triplamente qualificada, porque: 1) Em países onde o porte é liberado, os assassinatos em massa só ocorrem em localidades onde as armas são proibidas; 2) Em países onde o porte é proibido (como no caso do Brasil), assassinatos acontecem em uma quantidade absurda porque somente as pessoas mal intencionadas andam armadas e a população de bem fica vulnerável; e 3) Armas matam, sim, se estiverem nas mãos de bandidos, o que JÁ acontece (com ou sem estatuto do desarmamento), mas, em contrapartida, também salvam e numa quantidade infinitamente maior!


Por fim, muitos ainda afirmam que, caso o porte fosse liberado e, em consequência disso, aumentasse a quantidade de armas em circulação, aumentariam, também, os índices de situações corriqueiras do dia a dia que terminam em morte, como, por exemplo, discussões e brigas de trânsito. Esse raciocínio despreza tanto a lógica do equilíbrio entre duas partes armadas, quanto a do “custo de oportunidade”, que evidencia a vantagem estatística das armas por salvarem muito mais vidas do que tiram. Em um cenário onde as pessoas estão cientes de que qualquer um, na rua, pode estar armado, não só os bandidos terão o receio de fazer uma abordagem, assim como todas as pessoas comuns também evitarão qualquer confronto desnecessário e desrespeitoso pelo temor de uma retaliação. Se um forte poderio militar é capaz de impor respeito numa relação entre nações e a simples força muscular pode fazer com que as pessoas sejam mais cautelosas no trato com alguém (por medo de iniciar uma briga com alguém mais forte), armas podem, então, servir muito bem como um fator que fará com que os cidadãos se relacionem de uma maneira mais amistosa e cordial, evitando brigas desnecessárias e fazendo-os pensarem muitas vezes antes de assumirem o risco de um confronto com um desconhecido que pode ou não estar armado.


Quando acontece um desentendimento mais acalorado e alguém aponta este episódio como uma justificativa para o veto ao porte de arma, ela está analisando a questão de uma forma superficial e parcial. É evidente que, se a uma pessoa estiver armada, a grande maioria das possíveis brigas que ela poderia vir a enfrentar no seu dia a dia nem chegarão acontecer, pela mudança de atitude que a simples presença da arma despertará nos outros. Duvidar disso requer acreditar que as pessoas seriam imprudentes o suficiente para sair por aí afrontando agressivamente indivíduos armados, sem se preocupar com as consequências óbvias desse comportamento temerário. O que não faz nenhum sentido.


Além disso, mesmo considerando que possa vir a acontecer um episódio isolado ou outro, envolvendo personagens inconsequentes o bastante para desrespeitar esse processo educativo que se imporá naturalmente, ainda temos a ressalva de que as poucas vidas terminadas em situações como essa, serão “compensadas” pelas dezenas que serão salvas pela presença das armas. É evidente que qualquer vida é muito importante e que deve sempre ser protegida ao máximo, contudo, é impossível desenvolver um método perfeito que impeça tragédias do tipo de aconteceram. Nem a Noruega consegue isso. Sendo assim, devemos optar entre dois modelos possíveis: o falido existente hoje em dia, fruto do estatuto do desarmamento e que permite 60 mil assassinatos todos os anos em nosso país; e um outro, em que algumas vidas poderão eventualmente ser tiradas em situações isoladas e atípicas, mas, que, em contrapartida, dará a chance para que milhares de outras sejam salvas todos os dias, fazendo com que o balanço final seja extremamente positivo.


Pedro Delfino

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